Arquivo para Abril, 2008

Ensinar a ensinar

“Nada aprendemos com aquele que nos diz: faça como eu”. Nossos únicos mestres são aqueles que nos dizem: “faça comigo”, e que, em vez de nos propor gestos a serem reproduzidos, sabem emitir signos a serem desenvolvidos no heterogênio”.

Deleuze, em Diferença e Repetição”

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os idosos e a filosofia

Sou aluna do Curso de cuidador de Idosos da Universidade Fumec e pude assistir a um grupo de idade média  de 75 anos, discutindo filosofia, orientados pelo professor Mário Pazzini e fiquei surpresa  com a desenvoltura deles, ao ser aplicada a fala circular.A forma  como a memória era estimulada e como surgiam respostas lógicas me mostrou que uma atividade cerebral constante previne e inibe a degeneração dos neurônios.”Portanto, a filosofia aparece como inibidora e preventiva proporcionando uma melhor e mais saudável atividade cerebral, promovendo um aumento da memória, um desenvolvimento intelectual, uma busca de novidades, o querer, o refletir, o criar”.

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Sócrates

Sócrates
Vida do filósofo Sócrates, saiba quem foi Sócrates, Filosofia grega

imagem de Sócrates

Sócrates nasceu em Atenas, provavelmente no ano de 470 AC, e tornou-se um dos principais pensadores da Grécia Antiga. Podemos afirmar que Sócrates fundou o que conhecemos hoje por filosofia ocidental. Foi influenciado pelo conhecimento de um outro importante filósofo grego : Anaxágoras. Seus primeiros estudos e pensamentos discorrem sobre a essência da natureza da alma humana.

Algumas frases e pensamentos atribuídos ao filósofo Sócrates:

A vida que não passamos em revista não vale a pena viver.
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.
É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal.
Alcançar o sucesso pelos próprios méritos. Vitoriosos os que assim procedem.
A ociosidade é que envelhece, não o trabalho.
O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância.
Chamo de preguiçoso o homem que podia estar melhor empregado.
Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes.
Não penses mal dos que procedem mal; pense somente que estão equivocados.
O amor é filho de dois deuses, a carência e a astúcia.
A verdade não está com os homens, mas entre os homens.
Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.
Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir.
Sob a direção de um forte general, não haverá jamais soldados fracos.
Todo o meu saber consiste em saber que nada sei.
Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus.

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FILOSOFIA PARA ATENUAR OS MALES DA ALMA

A filosofia se constitui, desde seu nascimento, como um saber especial, “um desejo de saber”. Um de seus principais objetivos sempre foi querer resguardar o bom, o belo, o verdadeiro. Quando ela surgiu, Sócrates não se importava com a idade nem com a classe social de quem dialogava. Até crianças participavam. A partir de Platão, a filosofia passou a ser coisa de adulto.

A filosofia serve para atenuar diversos males da alma. A filosofia aparece como inibidora e preventiva, proporcionando uma melhor e mais saudável atividade cerebral, promovendo um aumento da memória, um desenvolvimento intelectual, uma busca de novidades, o querer, o refletir, o criar.

A sociedade discrimina e tende a isolar o idoso do convívio por julgá-lo incapacitado, ultrapassado. A filosofia vem resgatar, fazendo uma ponte entre o velho e o novo, trazendo-os a uma nova realidade, conscientizado-os de si, propiciando um crescimento interno sem preconceitos, buscando um diálogo aberto, franco, respeitoso, sabendo ouvir, registrar, codificar, compreender, analisar os fatos e a vida.

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Visão filosófica de personagens da antigüidade oriental e ocidental

“Um fantasma amedronta o mundo atualmente e seus ruídos assustadores desafiam o saber e o poder, levando, ao mesmo tempo, o ser humano a uma nova encruzilhada: a velhice. O ambicionado prolongamento à vida transforma-se cada vez mais, em realidade” (Eneida Haddad, 1993).

Introdução

A preocupação com a velhice e com um possível rejuvenescimento existe desde tempo muito remoto e a forma de perceber o envelhecimento não foi única para todos os povos. A partir da visão de alguns expoentes da história universal, pode-se fazer uma breve retrospectiva histórica e filosófica, sobre o processo de envelhecimento, considerando as épocas vivenciadas por estes personagens e as influências das suas civilizações.
Ao realizar esta revisão, não pretendo “esgotar” o assunto, mas apenas torná-la pertinente e necessária para que, após ela possamos refletir acerca do nosso próprio envelhecimento e possamos entender o ser humano idoso, passando a cuidar dele com mais competência; sendo então, este o objetivo deste estudo.


Envelhecimento na civilização oriental

Em relação à civilização oriental, merece destaque a condição privilegiada do idoso, verificada na China, desde a Antigüidade até os dias atuais. Dois personagens foram fundamentais para que essa percepção surgisse e perdurasse até os nossos dias, Lao-Tsé e Confúcio. Primeiro descrevo o filósofo e historiador Lao-Tsé ou Lao-Tzy (604-531a. C.), nome cuja tradução mais apropriada é ancião, o qual foi o fundador do Taoísmo, sistema filosófico, que considera Tao o todo e único. Pouco se sabe acerca da sua história de vida, porém sua historicidade se faz presente através do seu livro Da Razão Suprema e da Virtude, o Tao-te King.

Lao-Tzy indica, através de sua obra, o ponto de partida para o conhecimento intuitivo, para as suas opiniões sobre o sentido da vida, para ele: “a vida nada mais é do que o ser humano que atua espontaneamente e é idêntico ao centro do mundo” (Lao-tzy, 1999). Esse filósofo percebe a velhice como um momento supremo, de alcance espiritual máximo, comentando que ao completar 60 anos de idade, o ser humano atinge o momento de libertar-se de seu corpo através do êxtase de se tornar um santo.

Apesar da velhice ser reconhecida apenas no outro ser humano e não em quem a está vivenciando, o “dono” do corpo que envelhece, integrado na dimensão temporal da existência, reconhece-se a cada momento de forma renovada e galgando novos limites, muitos priorizando a dimensão espiritual.

Outro destaque da civilização oriental foi o filósofo Confúcio (551-479 a.C.), profundo conhecedor da alma humana, que externou conceitos de moral e de sabedoria. A filosofia de Confúcio, que não deve ser considerada religião, visa a uma organização nacionalista da sociedade, baseando-se no princípio da simpatia universal, que deve obter-se por meio da educação, e estender-se do ser humano à família e da família ao Estado, considerando este último a grande família.

Portanto, o Confucionismo é um sistema moral e prático, sendo compreendido pelo ser humano simples, sem a menor dificuldade e apresentando-se repleto de sabedoria e senso comum, aplicando-se a todas as situações e circunstâncias, tornando-se então, um tesouro de ensinamentos éticos do velho povo chinês.

Nessa estrutura o Confucionismo tem como base à família, e a casa toda deve obediência ao ser humano masculino mais velho. A autoridade do patriarca mantém-se elevada com a idade e até mesmo a mulher, tão subordinada, na velhice, tem poderes mais altos do que os jovens masculinos, tendo influência preponderante na educação dos netos. Para Confúcio a autoridade da velhice é justificada pela posse da sabedoria.

Em relação a ele próprio, completava que, aos 60 anos o ser humano compreende, sem necessidade de refletir, tudo que ouve; ao completar 70 anos, pode seguir os desejos do seu coração sem transgredir regra nenhuma, dizia ainda que a sua maior ambição era que os idosos pudessem viver em paz e principalmente, que os mais jovens amassem esses seres.

Para Confúcio (1999), no mundo, não há nada tão grande como o ser humano e no ser humano, nada é maior que a piedade filial. Segundo sua doutrina, os deveres dos filhos para com os pais compreendem: cuidá-los, com carinho, na vida diária; procurar torná-los seres humanos felizes, de todas as maneiras e em todos os momentos; sempre cuidar deles com carinho e atenção; demonstrar saudade e dó deles, por ocasião de sua morte e após a sua morte; oferecer-lhes sacrifícios com muita formalidade. Na verdade, o culto aos antepassados constitui, de certa maneira, a única ligação desta doutrina com o mundo do além.

O amor dos filhos aos pais envelhecidos, a assegurar-lhes maior proteção e segurança na última idade do seu processo de viver, compreende uma das mais sublimes ações do ser humano para consigo mesmo e para com a sua espécie, ou seja, para com a sua geração e para as gerações futuras, perpetuando assim, o amor intenso e especial entre pais e filhos.


Envelhecimento na civilização ocidental

No Ocidente, o primeiro texto referindo à velhice encontra-se no Egito, no ano 2.500 a.C. quando a beleza física e o vigor eram cantados e exaltados, Ptah-Hotep filósofo e poeta, afirmou o seguinte sobre a velhice:
“Quão penoso é o fim do ancião! Vai dia a dia enfraquecendo: a visão baixa, seus ouvidos se tornam surdos, o nariz se obstruí e nada mais pode cheirar, a boca se torna silenciosa e já não fala. Suas faculdades intelectuais se reduzem e torna-se impossível recordar o que foi ontem. Doem-lhe todos os ossos. A ocupação a que outrora se entregara com prazer, só a realiza agora com dificuldade e desaparece o sentido do gosto. A velhice é a pior desgraça que pode acontecer a um homem” (Beauvoir, 1990, p.114).

Os versos de Ptah-Hotep mostram a face cruel do processo de envelhecimento, comentando a velhice de um modo pouco favorável, desolado e até depressivo. Ao meu ver, essa é a visão mais presente acerca desta fase do processo de viver humano, onde os preconceitos, a discriminação e o isolamento aos idosos são fatos constantes e que aos poucos vêm sendo trabalhados e transformados em uma função mais positiva. Se bem que, ainda com problemas não resolvidos no que diz respeito à saúde da população materna e infantil, a de adultos jovens e principalmente a do trabalhador, o aumento acelerado e brusco da população idosa em um país em desenvolvimento como o Brasil, passa a ser incluído dentre os sérios problemas de saúde pública.

Por outro lado, penso que, com o avanço tecnológico e com a transição demográfica, a qual surge a partir da redução da mortalidade geral e infantil; da diminuição das taxas de fecundidade e do próprio aumento da expectativa de vida, numa determinada população; é verificado que o crescimento do número de seres humanos idosos, ainda não faz com que estes conquistem espaços que lhes permitam uma velhice mais tranqüila, mais saudável e principalmente, mais adaptável às limitações que possam surgir nesta fase de vida.

Quanto à Grécia antiga, sua civilização floresceu no Mediterrâneo nos anos 4.000 a 1.000 a.C. num país montanhoso, árido, com uma orla bastante acidentada e com numerosas ilhas, que lhe favoreceu o comércio e as atividades marítimas em geral. As cidades que surgiram nas ilhas eram distintas, possuindo hábitos, costumes, vida econômica independentes e por vezes, eram rivais entre si. Somente a língua e a adoração dos mesmos deuses conscientizavam os gregos que realmente, constituíam um mesmo povo.

Duas cidades destacaram-se na Grécia antiga, Atenas e Esparta. Atenas revelou-se com uma atividade cultural intensa, criativa, apresentada através da filosofia e de gêneros como a tragédia, a comédia, a oratória. A democracia ateniense, constituída pelas instituições políticas, foi muito importante para que os artistas explorassem livremente seus talentos. Dentre os atenienses mais famosos destacam-se: Sócrates, Platão e Aristóteles. Quanto a Esparta, sobressaiu-se pela dura aplicação das leis aos seus cidadãos, os quais empenhavam-se integralmente em aprimorar a formação militar. O jovem espartano, ao contrário do ateniense, recebia uma educação intelectual muito rudimentar (Piettre, 1985), talvez por esta razão Atenas tenha sido o berço, propriamente dito, da civilização grega.

O advento da filosofia, na Grécia, marca o declínio do pensamento mítico e o começo de um saber racional, acarretando uma transformação geral das perspectivas cosmológicas e consagrando o surgimento de uma forma de pensamento e de sistema de explicação sem analogia no mito (Vernant, 1992). Os gregos foram amantes do corpo jovem e saudável, sempre voltados ao culto e preservação deste corpo, sendo a velhice, de um modo geral, tratada com desdém, muito desconsiderada e até motivo de pavor, principalmente pela perda dos prazeres obtidos através dos sentidos.

Beauvoir (1990, p.123), descreve algumas percepções de personagens importantes da Grécia antiga, entre eles Minermo, sacerdote em Colofos, 630 a.C., o qual cantava os prazeres da juventude, do amor e detestava a velhice, ele dizia: “Que vida? Qual o prazer sem Afrodite de ouro?” Já Anacreonte, que cantou o amor e os prazeres do corpo, dizia: “envelhecer é perder tudo que constituí a doçura da vida”. Titon afirmava: “Prefiro morrer a envelhecer”. Entretanto, havia aqueles que tinham outras opiniões sobre a velhice, como Homero, que associava a velhice à sabedoria, mas em outro momento opõe-se à velhice, quando dizia que “os deuses odeiam a velhice”. Já para Sólon, os prazeres pouco contavam e dizia: “Ao avançar em anos, nunca deixo de aprender”.

Fica claro que mais seres humanos insatisfeitos do que os seus contrários aceitam a velhice e procuram adaptar-se aos limites impostos pelo processo de vida. Não sendo diferente da atualidade, onde são poucos os idosos que se sentem felizes pelos anos vividos e procuram aproveitá-los da melhor maneira possível, engajando-se nos programas oferecidos pela universidade aberta à terceira idade, às aulas de ginásticas a eles direcionados, aos clubes ou associações voltados ao lazer e ao entretenimento e que despertam o interesse no aprendizado de novas situações, como tocar um instrumento, usar o computador e outras. É necessário estimular nos seres humanos idosos à vontade de viver intensamente e com melhor qualidade possível a sua fase de vida.

Mas é nos diálogos de Sócrates, através de Platão, que se encontra o verdadeiro interesse pelos problemas dos idosos. Sócrates (469 – 399 a.C.) foi, talvez, a personagem mais enigmática de toda a história da filosofia. Era um ser humano considerado feio, pois não possuía os atributos tidos como belos pelos gregos daquela época, mas interiormente era especialmente maravilhoso. Sua vida e seus pensamentos chegaram até nós a partir do seu discípulo Platão.

Um fato crucial na vida de Sócrates foi que ele, ao contrário dos outros filósofos, não queria ensinar aos outros, mas dialogar, discutir com eles, atiça-los. Na sua opinião, tal como a sua mãe parteira, ele deveria ajudar os seres humanos à “parir” suas próprias opiniões, considerando que o conhecimento tem de vir de dentro e não pode ser obtido “espremendo-se” dos outros, pois só o conhecimento que vem de dentro é capaz de revelar o verdadeiro discernimento. Na República (Platão,1985), são registradas passagens onde Sócrates faz referências ao envelhecimento e diz que para os seres humanos prudentes e bem preparados, a velhice não constituiu peso algum.

Importante que percebamos que, se cada vez mais cedo o ser humano começar a preparar-se para o processo de envelhecimento, procurando viver de forma saudável, longe de uso e abuso de drogas, desenvolvendo atividades físicas regulares, alimentando-se adequadamente (estes dois últimos, desde que tendo acompanhamento do professor de educação e do nutricionista), ingerindo grande quantidade de água, realizando suas atividades laborais satisfatoriamente, conquistando o apreço e a amizade dos outros, usufruindo o lazer e do entretenimento e tendo sempre em vista a criação de projetos futuros que sejam voltados à coletividade, com certeza, sua vida terá um sentido concreto e sua velhice, será então, a continuidade da sua vida.

Não posso deixar de descrever um diálogo ocorrido entre Sócrates e Céfalo, discutindo a velhice, que é descrito por Beauvoir (1990, p. 135),
“Céfalo convidou Sócrates para visitá-lo, desculpando-se por não ir procurá-lo, pelo fato de estar velho e ser difícil sair de casa. Queria conversar com o amigo, pois para Céfalo: ‘quanto mais amortecidos ficam os prazeres do corpo, mais crescem o deleite e o prazer da conversação’. Sócrates aceitou o convite, respondendo que lhe agrada muito conversar com pessoas de mais idade, que já tinham percorrido um caminho que ele teria que percorrer. Assim, deu-se o início da conversa, quando Sócrates perguntou a Céfalo, como ele, já velho, sentia-se ao atingir a fase que os poetas chamavam de ‘o limiar da velhice’. Céfalo respondeu que muito bem, pois a triste cantilena, evocada por muitos, responsabilizando a velhice por todos os males, para ele era decorrente da própria vida e não da idade avançada.”

Então, a partir desta passagem, verifica-se que as queixas não devem ser atribuídas à velhice e sim ao caráter do ser humano, pois aquele que é naturalmente tranqüilo e bem humorado, não sentirá o peso dos anos e aquele que não apresenta estas características, não só a velhice, mas a própria juventude lhe é um fardo bastante pesado, portanto um processo de envelhecimento tranqüilo e saudável, depende de uma juventude tranqüila e saudável.

SANTOS, Silvana Sidney Costa. Envelhecimento: visão de filósofos da antiguidade oriental e ocidental. Rev. RENE. Fortaleza, v.2, n.1, p. 9-14, jan./jul./2001.

Silvana Sidney Costa Santos
Professora da faculdade de Enfermagem N. S. das Graças. Universidade de Pernambuco. Especialista em Gerontologia Social/SBGG. Mestre em Enfermagem/UFPB. Aluna do Doutorado em Enfermagem / UFSC

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Idosos – experiência de inclusão

Márcia de Mendonça Jorge – Profa. da PUC Minas e Diretora da Maioridade
Espaço de Convivência para o Idoso – BH-MG

1 Introdução

O interesse pelos processos de envelhecimento e pela velhice vem aumentando consideravelmente no mundo inteiro, em especial no Brasil. A principal causa desse interesse, ou sua causa mais visível, é o nítido envelhecimento de nossa população. No período de 1992 a 1997, o número de pessoas maiores de sessenta anos cresceu 18%, enquanto a população como um todo aumentou 7,3%, de acordo com a PNAD/IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), feita em 1997 em 109.000 domicílios de todo o país. O total de pessoas com mais de sessenta anos aumentou em 2,6 milhões nesses cinco anos. (Folha de S. Paulo, Cotidiano, 10/12/98).

O Brasil, considerado até hoje um país de jovens, será um país de velhos num futuro próximo. Os adultos de hoje começam a preocupar-se com o próprio futuro, com o próprio envelhecimento. Como conseqüência dessa maior consciência de que todos envelheceremos e de que a sociedade brevemente terá muito mais pessoas velhas do que jovens é que provavelmente vêm proliferando os estudos e pesquisas sobre o tema.

Embora possamos afirmar que os órgãos do governo, ao lidar com o problema da velhice, vejam tudo como um problema social para o qual devemos propor soluções, considera-se que uma política social eficaz precisa estar alicerçada em teorias consistentes e numa ética sensível às diferenças históricas, culturais, biológicas e individuais.

A lei 8.842, de 4 de janeiro de 1994, instituiu a “Política Nacional do Idoso”, visando a “assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade”. O Capítulo II, artigo 3o, item I diz: “A família, a sociedade e o estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos de cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e direito à vida”. Item II: “O processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo ser objeto de conhecimento e informação para todos”. Item III: “O idoso não deve sofrer discriminação de qualquer natureza”. Na Sessão II, sobre as diretrizes, ressalta-se: Artigo 4o, item I: “Viabilização de formas alternativas de

participação, ocupação e convívio do idoso, que proporcionem sua integração às demais gerações”.

2 A experiência da maioridade: objetivos

A Maioridade – Espaço de convivência para o idoso – através de sua filosofia e de sua prática, atende aos princípios e diretrizes da “Política Nacional do Idoso”, e está, dentre as instituições públicas e privadas do país, na vanguarda da inclusão da pessoa idosa na sociedade brasileira.

O espaço de convivência, ao contrário das instituições asilares, visa a resgatar as capacidades adaptativas do idoso para que ele possa usufruir permanentemente do intercâmbio de relações com a sua família e a sociedade. O idoso saudável é mais aceito por seus familiares e pela sociedade em geral. Na medida em que suas funções psíquicas estão mantidas, ele interage em seu ambiente de forma a ser respeitado e valorizado pelos seus pares. Por outro lado, a família também é atendida em consultas de aconselhamento ou orientação, com o objetivo de acelerar o processo de inclusão do idoso no seu meio. Todas as atividades desenvolvidas no centro de convivência têm este objetivo fundamental que se ramifica em diversos outros objetivos específicos: trabalho com grupos para integração do idoso com os seus pares, de sua faixa etária; grupos para estimulação e desenvolvimento da memória e da atenção (através de jogos dirigidos e dinâmicas de grupo); grupos de ginástica e fisioterapia; grupos de estimulação sensorial através da música e da dança; passeios culturais (cinemas, teatro, museus, parques etc.); filosofia para a 3a idade, para reflexão e discussão

sobre os diversos aspectos da existência humana e sobre a morte; programas de integração com crianças e adolescentes de diversas escolas, com o intuito de integrar as gerações; trabalhos manuais e artesanato, para resgatar habilidades, resgatar o desejo por uma atividade, pelo fazer, promover a integração e a socialização; aconselhamento e orientação de familiares quanto aos aspectos do envelhecimento e da velhice, quanto ao seu próprio idoso e às formas de interação familiar e de inclusão do idoso na vida familiar e social; psicoterapia da pessoa idosa, nos casos de necessidade ou demanda do próprio indivíduo. Além dessas atividades, a pessoa faz suas refeições na casa, num ambiente afetivo e aconchegante, pautado pela descontração, pela intimidade de um lar. Os aniversários também são comemorados na casa, junto com os próprios convidados e parentes do aniversariante. As visitas são permitidas a qualquer hora do dia e, inclusive, estimuladas. A pessoa pode sair da casa a qualquer momento, para passear ou visitar amigos, se não houver nenhum impedimento relacionado à sua segurança.

Ao contrário das instituições asilares, a Maioridade, apesar de levar o idoso para um espaço específico institucional, trabalha a pessoa para sua inserção na sociedade. O idoso vai de manhã e volta à noite para sua casa ou para a casa de seus familiares. A filosofia da Maioridade é propiciar-lhe condições que permitam o seu contínuo desenvolvimento e crescimento e a sua participação na vida familiar e social. Ali eles aprendem ou reaprendem o adiamento da satisfação imediata das necessidades – saber esperar, saber ceder, ser tolerante, generoso e solidário.

O espaço de convivência reeduca o idoso que perdeu em parte sua sociabilidade em conseqüência dos anos de isolamento que viveu, das perdas cognitivas que sofreu, do espaço físico, psíquico e social que perdeu à medida que foi envelhecendo, que se aposentou e perdeu seu espaço produtivo, que sua afetividade deteriorou-se em decorrência do isolamento e da perda da identidade social.

3 Resultados

Em cinco anos de existência, a Maioridade, espaço de convivência para o idoso, já atendeu a 418 pessoas idosas e suas respectivas famílias. Atualmente, convivem na casa cerca de 80 idosos em horários e atividades variadas. A crescente procura pelo espaço de convivência mostra-nos a aceitação do trabalho e a sua importância para a família, principalmente, e para a sociedade. O idoso

que desenvolve as atividades na casa resgata sua auto-estima, sua autonomia, o que possibilita um melhor convívio com os familiares, e, portanto, uma melhor aceitação por eles, do velho e da velhice.

Por outro lado, a família aprende que o velho é sujeito de seus desejos e, portanto, passa a ser ouvido em suas demandas e resgata seu papel social. O idoso, saindo de casa e retornando à noite, após o dia de trabalho na Maioridade, tem o que contar a respeito de suas atividades. Assim, é respeitado e valorizado. Os familiares passam a não ser os únicos interlocutores e doadores de afetividade para o idoso, fator de extrema importância e de constante demanda deles. Nos grupos terapêuticos, são trabalhados os diversos sintomas e patologias, proporcionando uma melhor percepção de si mesmos e dos outros, uma descentração e, assim, um melhor relacionamento e intercâmbio com as outras pessoas. Para casos mais graves, aliados aos trabalhos de grupo, são feitos atendimentos terapêuticos individuais, com amplas melhoras de problemas de depressão, hipocondria, agressividade e outros. Todo o trabalho na Maioridade tem o fim último de tentar resgatar um projeto de vida para o indivíduo idoso, e, na grande maioria dos casos, isto é conseguido. Alcança-se, portanto, uma melhoria na qualidade de vida do idoso e de sua família.

4 Conclusão

Por trás de toda rejeição ao velho, em nossa sociedade, há uma ideologia que permeia as relações e a vida social. É a lógica econômica da produção, das relações de oferta e demanda que produzem mais-valia, enfim, que produzem dinheiro. O velho tem um tempo contado, que, ao menos teoricamente, é menor que o do adulto e da criança. Ele tem menos tempo para produzir, e, por isso, na lógica capitalista, ele tem menos valor. Então, se é aposentado, se não tem mais tarefas domésticas a realizar, ou se não mais as consegue executar, é alienado, relegado aos cantos da casa, isolado, abandonado.

A ideologia capitalista permeia todos os estudos sobre o desenvolvimento humano, desde a modernidade.

As teorias do desenvolvimento originaram-se nos estudos de Darwin e Spencer no século XIX e baseiam-se em etapas seqüen ciais que se iniciam na criança, considerada como tendo uma mente pouco desenvolvida, primitiva e mesmo selvagem, até o estágio mais evoluído e desenvolvido do adulto.

Abrangem dois enfoques: o biológico-evolucionista e o pedagógico-normativo. O primeiro vem das ciências naturais e da medicina, e fundamenta-se no crescimento do organismo em termos de atributos e funções psicológicas que sofrem um processo de mudança, segundo uma seqüência hierarquizada até a maturação, passando depois a regredir e a involuir até a morte. O enfoque pedagógico-normativo pressupõe uma seqüência de eventos que normatiza o desenvolvimento, da infância à vida adulta, enquanto processo de socialização e de capacitação à vida social e produtiva. Sob esse ponto de vista, toda a teoria do desenvolvimento fundamenta-se numa noção de temporalidade linear, perfazendo uma sucessão de eventos seqüenciais, numa linha temporal irreversível que vai do passado ao futuro.

Nas sociedades modernas, o tempo também é apreendido como linear, irreversível e seqüencial. Elas são orientadas para o futuro; o presente só é pertinente na medida em que remete a um futuro desejável, esperado. O passado é praticamente eliminado, e, com ele, os representantes e símbolos do passado, os velhos. Essa noção de tempo pressupõe uma ética voltada para o futuro, que, contudo, não sabemos quanto vai durar. E nesse futuro não há lugar para o velho, porque ele não é futuro, ou, no máximo, seu futuro é a morte (como se não fosse para todos nós).

O ser humano, criança, adulto ou velho, só pode ser concebido como uma singularidade dentro de processos mais amplos da história e da cultura. Sua trajetória histórica só pode ser resgatada através da narrativa, enquanto “memória coletiva do passado, consciência crítica do presente e premissa operatória do futuro” (Ferrarotti, 1983). A memória é a mediadora do processo entre a história e a narrativa. Contudo, a modernidade vem alterando o valor dado à memória e colocando em risco o intercâmbio de experiências através da narrativa, que é o que estabelece as relações profundas entre os sujeitos históricos, fazendo com que cada história singular se presentifique como parte de uma história maior, ou seja, a história de uma época ou de uma coletividade.

A memória não é simplesmente recontar fatos passados, mas resgatar e recriar todos os sentidos possíveis de experiência, conjugando-a com o presente para se abrir, a cada vez, a outros e novos sentidos. Assim, a memória ressignifica o sujeito no âmbito das experiências coletivas de uma época histórica.

No mundo moderno, a memória, a narrativa e a experiência perdem o seu valor. O trabalho da Maioridade com os idosos é este: resgatar a memória dos idosos através da narrativa, para inseri-los novamente no contexto histórico e social, como inventores de suas próprias vidas, criadores de história e de cultura.

É trabalhar com os familiares no sentido de perceberem a fonte de experiência e de sabedoria em cada idoso, fonte de história e de cultura, que une as gerações presentes às passadas, enfim, que une e enlaça os seres humanos aos seus antepassados, à tradição, às suas origens. E é também trabalhar com profissionais, através de cursos e de palestras, sobre a importância de nossos velhos, o seu valor, o envolvimento e o compromisso que temos com eles, criadores de nós mesmos. É trabalhar a velhice, a que provavelmente chegaremos.

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Budismo Essencial: A Arte de Viver o Dia-a-Dia

Gyomay Kubose

Uma Visão Sadia da Vida e da Morte

A vida torna-se muito diferente de acordo com a visão que se tem dela. Por exemplo, nossa visão ou atitude em relação à vida e à morte pode facilmente nos tornar perturbados e sombrios ou fazer nossa vida harmoniosa, pacífica e luminosa.

Eu gostaria de falar sobre uma visão sadia da vida e da morte, porque as diferentes religiões, culturas e raças têm diferentes perspectivas sobre a vida, a morte, a natureza, a moralidade, a política, etc.

A cultura norte-americana enfatiza a juventude, o crescimento, o progresso, o sucesso; ela não considera a velhice e a morte como partes do processo de nascimento e crescimento. A velhice é considerada feia, uma coisa a ser combatida; e a morte inevitável é odiada e temida. Mas a vida inclui tanto vida como morte, e elas não podem ser separadas. A vida não é só juventude ou crescimento; ela também inclui a morte. A velhice e a morte não feias ou odiosas; elas devem ser compreendidas como parte do crescimento e maturidade. A maturidade é bela e a morte faz parte da natureza.

Outro dia, um viajante do Oriente disse que a cultura norte-americana não possui uma filosofia sobre os idosos e a morte e, portanto, sua visão da vida é superficial. Talvez esta superficialidade seja devido à natureza do próprio país, que é jovem e vigoroso; ou talvez porque aqui se dá demasiada ênfase à juventude, à beleza e ao crescimento. No entanto, como em qualquer outro país, também aqui as pessoas nascem, amadurecem e morrem. Ainda assim, a cultura norte-americana é feita das mais completas dicotomias – dicotomizamos a vida e a morte, a juventude e a velhice, e pensamos que a vida é boa e bela enquanto a velhice e a morte são más e feias. Por isso, aqui os idosos se sentem tristes e desprezados; os jovens expressam sua aversão pelo envelhecimento; e todos temem a morte. Parece que filosofias e religiões inteiras se desenvolveram a partir do medo da velhice e da morte.

Mas, por que dicotomizamos a vida e a morte? O budismo ensina a falsidade disso, pois a vida e a morte não são pólos opostos e sim fases complementares de uma mesma vida. Assim como o metabolismo em um organismo vivo inclui tanto o anabolismo quanto o catabolismo, a vida não poderia existir sem ter a morte como um de seus processos. Não existiria a vida sem a morte.

A vida e a morte não são boas nem más, feias ou bonitas; apenas são tais como são – ou tais como você as vê. Todos nós apreciamos o desabrochar da primavera e o verde do verão. Mas, acaso também não são belas as douradas folhas mortas do outono? É lindo contemplar as folhas douradas desprendendo-se dos galhos, mesmo quando não há vento, e caírem dançando até o solo, retornando à terra mãe. As folhas do outono são mais poéticas que o verde do verão. A primavera é romântica, mas o outono é sereno e meditativo.

A velhice e a morte são processos naturais da vida e é assim que devem ser encaradas. Uma pessoa idosa tem dignidade e sabedoria, e deve ser respeitada e honrada. Nos lares tradicionais do Oriente, os idosos são profundamente amados e respeitados. As crianças amam mais os avós que os próprios pais.

O idoso deve viver como idoso, sem competir com o jovem. E vice-versa. Comparar e competir é criar problemas. O idoso oferece, o jovem ouve; isso é harmonia, esta é a lei da complementaridade, assim como o céu e a terra, o positivo e o negativo, o yin e o yang, se harmonizam e tornam-se unos. A vida é uma; esta é a beleza da vida. Unidade na diversidade; esta é a beleza da natureza.

Nossa vida tornou-se demasiado utilitarista nesta cultura da máquina, onde aquilo que não produz é considerado inútil e precisa ser descartado. Nesta cultura, os idosos são inúteis porque deixaram de produzir; logo, são ignorados ou tratados com desprezo. Parece que, com a filosofia pragmática e a cultura utilitarista, nossa vida tornou-se uma máquina produtora e perdeu sua beleza e seu calor.

A vida é nobre; também é nobre a morte. A morte é o complemento e a realização da nossa vida. É melhor morrer com nobreza do que viver na desonestidade e desgraça. Como morrer com nobreza e paz, como viver com nobreza e paz – isso é religião. Quando vivemos cada momento eterno com plenitude e honestidade, podemos morrer com nobreza e paz. Há um antigo ditado no Japão: é melhor morrer como uma jóia quebrada do que existir como um tijolo quebrado.

Vivemos pelas leis da morte. As pétalas da flor fenecem, mas deixam suas fragrâncias; o homem morre, mas deixa seu nome. Quang Duc, o monge sul-vietnamita, viveu ao morrer. Ele dedicou e realizou sua vida na morte. Sua morte não foi suicídio nem sacrifício; foi o mais sincero e bravo apelo ao seu governo para que acabasse com a injusta repressão aos budistas. Um antigo provérbio chinês diz que a morte é mais leve que o couro de uma vaca. Patrick Henry bradou, “Dai-me a liberdade ou senão a morte!” e Daisuke Itagaki disse, “Embora Itagaki morra, a liberdade não morrerá”. Estas afirmações demonstram que, para estes homens, era mais fácil morrer do que renunciar aos princípios pelos quais viviam.

A morte não chega a ser um grande problema, mas o modo de viver é um problema importante. “Quanto mais ele vive, mais desgraça existe” – se estivermos falando de um homem desonesto. Se a pessoa compreende o princípio da vida, então a morte não é problema. A vida e a morte são unas e inseparáveis. Morremos, sim, porém não morremos. Vivemos além da vida e da morte. Devemos viver plenamente este eterno hoje.

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O PAPEL DA UNIVERSIDADE NA CONSTRUÇÃO DO SABER SOBRE IDOSOS

É amplamente conhecida a previsão de que, em 2020, o Brasil terá em sua população entre 15 e 17% de pessoas com mais de sessenta anos de idade; isso representa uma massa humana de aproximadamente 32 milhões de pessoas. Atualmente, o Brasil conta já com 12 milhões de pessoas acima de sessenta anos.

“A questão do envelhecimento populacional atinge a todos nós (CORRÊA, 1996), não só como pessoas que somos, caminhando para o nosso próprio envelhecimento, mas também porque estamos sofrendo contínuas mudanças, em nossa maneira de ser e de sentir a cada período de tempo, em nosso corpo e em nosso espírito, e na observação da sociedade que está à nossa volta. A cada dia nos deparamos com os mais velhos em nosso círculo de parentes, amigos, clientes e nas ruas e, entretanto, sabemos tão pouco sobre eles”.

O tema que me foi proposto leva por título: “O papel das Instituições de Ensino Superior no Brasil, na construção do saber sobre idosos, e os aspectos filosóficos, teóricos e metodológicos dos projetos com a terceira idade”. Considero o tema um pouco ambicioso; na tentativa de desenvolvê-lo, abordarei o assunto em dois tópicos:
1. O papel da Universidade
2. Projetos com a terceira idade.


1. O papel da universidade na construção do saber sobre idosos

Com muita propriedade, Luis Carlos Guedes Pinto, Pró-Reitor de Desenvolvimento Universitário da UNICAMP, em recente publicação, salienta as principais funções da Universidade: geração e transmissão de conhecimentos para a sociedade na qual ela está inserida. Essa sociedade, que financia e mantém indiretamente as atividades da Universidade, deve usufruir do repasse do saber criado, desenvolvido e reproduzido por docentes e pesquisadores.

Porque é importante que a sociedade financie a produção de conhecimentos? – ele pergunta. “Não me parece plausível outra razão que não a de orientar a mudança – ele afirma (FOLHA DE SÃO PAULO, 04/08/99). O ideal universitário é transformar realidades e fatos a partir do conhecimento. A Universidade, portanto, deve ser o motor da dinâmica social, como local privilegiado de discussão e reflexão”.

Esse é o ponto de partida de nossa reflexão: papel da Universidade é o de orientar a mudança; transformar realidades e fatos a partir do conhecimento.

Há um grande número de mitos, em sua maioria negativos, que acompanham o envelhecimento e a velhice. Os mais comuns, de acordo com as considerações feitas pela Organização Mundial de Saúde, são os seguintes: 1. A maioria dos idosos vive em países desenvolvidos; 2. Todos os adultos com mais de 65 anos se assemelham; 3. O homem e a mulher envelhecem da mesma forma; 4. Pessoas idosas têm saúde frágil; 5. Idosos já não tem com o que contribuir à sociedade; 6. Velhos são uma carga econômica para a sociedade. (GAZETA DO POVO, 5/8/99).

Cabe à Universidade desmitificar essas crenças. De fato, a maioria dos idosos pertencem aos países em desenvolvimento; mais de 60%. Por outro lado, as pessoas envelhecem diferentemente uma das outras. “Para umas, o envelhecimento é um longo processo de volta para si mesma e de enriquecimento interior, de crescimento do espírito, de aquisição de sabedoria, de tolerância e discernimento e de percepção do belo nas pequenas coisas da vida. Para outras, o envelhecimento é uma longa fase de torturas e sofrimentos, de angústia e medo da morte próxima, de perdas importantes e irrecuperáveis, de dores e doenças, de solidão e isolamento do mundo. De alienação e de menosprezo por parte da sociedade” (CORRÊA, 1996).

Em outras palavras, há um envelhecimento saudável, ou senescência; e um envelhecimento patológico, ou senilidade. Tarefa da Universidade é tratar de um e de outro tipo, tendo em vista a mudança, de ampliar o mundo da senescência e diminuir o da senilidade.

“Felizmente, para a maioria das pessoas, o envelhecimento saudável é a regra (CORRÊA, 1996), e elas vivem independentemente, gozando de razoável saúde física e mental, em contato com os seus familiares e a sociedade. Essa forma de envelhecer está muito vinculada ao modo de vida pregresso do indivíduo: quanto mais ativo e dinâmico ele foi em seu passado; quanto mais criativo, generoso, participante nas atividades da comunidade e com investimentos emocionais em diversas áreas (trabalho, família, sociedade, lazer, viagens…), mais ela terá um envelhecimento saudável e preserverá suas funções cognitivas até idades provectas”.

Aliás, a principal revelação de uma pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) intitulada “Como vive o idoso brasileiro” (FOLHA DE SÃO PAULO, 6/8/99), é de que a maioria da população brasileira que já completou 65 anos continua trabalhando; continua na chefia da família e contribui com boa parte do rendimento familiar. O estudo mostra que é errada a idéia de que as pessoas mais jovens trabalham para sustentar uma suposta inatividade dos idosos; apesar da idade, formam um contingente ativo 62% das pessoas com mais de 65 anos, trabalhando 40 horas semanais; por sua vez, depois dos 80 anos, os idosos que trabalham, em média, dedicam 32 horas semanais. Analisando a importância, sempre crescente, do papel desenvolvido pelo idoso no âmbito familiar, o estudo mostra também que as mulheres com mais de 65 anos de idade vêm ganhando responsabilidades: enquanto, em 1986, 35% das mulheres idosas chefiavam sua família, contra 89% dos homens; dez anos depois, o número entre a população idosa feminina saltou para 42%, mantendo-se inalterada a situação dos homens idosos.

Desse estudo podemos salientar um aspecto de suma importância para melhor definir o papel da Universidade com relação ao idoso. Não se trata somente de produção de conhecimentos que elevem, de forma significativa, a esperança de vida; só viver muito não é suficiente. Precisamos viver melhor. E a maneira de o idoso viver melhor é de se sentir integrado socialmente, com o reconhecimento de suas responsabilidades e de seu valor. Proporcionar ao idoso somente proteção e compaixão não o dignifica; isso significa segregação.

Integração é o contrário de segregação; o que acontece hoje é segregação, esquecendo que a velhice constitui tão somente uma etapa da vida, assim como a infância, a juventude, a virilidade; e a vida é uma só. Viver significa poder levantar, de manhã, com projetos a realizar, vivenciar o dia realizando projetos, descansar à noite com a alegria do reconhecimento de projetos realizados ou de reformulação de estratégias para o dia seguinte.

Cabe à Universidade provocar essa mudança cultural, de integração do idoso no contexto social. Uma boa época para se pensar sobre a velhice é a juventude, porque só assim é possível melhorar as chances de viver a velhice, quando chegar. Integrar as várias etapas da vida, como um todo, é o maior desafio da Universidade na produção de conhecimentos, tendo em vista a mudança cultural.

Muito maior esse desafio, se considerarmos que o Estado não está preparado para desempenhar esse papel de integração, como evidenciam jornais e revistas de âmbito nacional, que circulam durante esses últimos meses, por ser este o ano internacional do idoso.

Até o Papa João Paulo II denuncia a marginalização do idoso (GAZETA DO POVO, 26/7/99). Ele salienta que a velhice já foi sinônimo de sabedoria e equilíbrio, mas, nas sociedades com avançado desenvolvimento industrial e tecnológico a condição do idoso é ambivalente. Por um lado, os idosos são cada vez menos integrados à família e à sociedade; e, por outro lado, são procurados, em particular por casais jovens, que acham que os avós são uma ajuda indispensável na educação dos netos. Trata-se de um modelo social dominado pela economia e o lucro; um modelo social dominado pela economia do benefício que castiga as populações não produtivas e julga as pessoas em função de sua utilidade e não por ela mesma. “A velhice é um valor em si – continua o Papa–. As pessoas idosas recordam a todos, em especial aos jovem, que a vida sobre a terra é uma parábola com um começo e um fim”.

Dessas palavras do Papa João Paulo II podemos inferir que, tratando-se de um modelo dominado pela economia, é tarefa da Universidade promover mudanças culturais no âmbito desse modelo, pela criação de conhecimentos com base em soluções econômicas. É sempre um projeto político que provoca mudanças e todo projeto político é embasado em projeto econômico.
Assim, por exemplo, a Comunidade Européia está alcançando sua união político-social através de experiências no plano econômico, do mercado comum; ao passo que o Mercosul ainda não encontrou seu lastro comum cultural porque não se consolidou no plano econômico.

Não é possível pensar em integração social do idoso mantendo-o segregado economicamente, diminuindo sempre mais os recursos básicos para sua sobrevivência, como acontece na atualidade. A Universidade não pode eximir-se da tarefa de apresentar estudos viáveis, ao Estado e à Sociedade, para que o idoso possa ter uma vida economicamente digna, visto que durante toda a sua vida contribuiu para isso.

Por sua vez, se a vida sobre a terra é uma parábola com um começo e um fim, como salientamos na palavra de João Paulo II, podemos comentar uma expressão semelhante discutida entre estudiosos de bioética ao tratar do princípio da autonomia do paciente, essa parábola tem um começo, um meio e um fim.

No começo, o ser humano apresenta fragilidade e sua existência precisa de cuidados; na juventude a na virilidade, o homem sente-se na plenitude de sua vida e toma decisões com plena autonomia, investindo no seu futuro; quando o futuro torna-se presente, no fim da parábola, o idoso sente-se traído, como se precisasse nova e simplesmente de cuidados, como no início de sua existência, não lhe sendo facultado mais o uso de sua autonomia. Isso pode ser válido tratando-se de senilidade, ou seja, de idoso patológico; não, porém, quando se trata de senescência, ou seja, de envelhecimento saudável e ativo, que é o caso da maioria.

Toda ação cultural baseia-se em valores e as manifestações culturais complementam-se dialeticamente, tendo em vista esses valores. Ora, o que caracteriza um objeto valioso é o seu dever ser, ou seja, o projeto de ser, de decidir, assumir, viver… e não a triste constatação do acabado e definido.

Para nós brasileiros, que ainda pensamos viver num país de jovens, falar sobre a velhice seria falar sobre o obsoleto, pois moderno é ser jovem. Contudo, o sonho da longevidade é um sonho de muitos ainda hoje; não adianta, porém, querermos viver demasiado se não vivermos bem o presente. “Envelhece-se como se viveu (CORRÊA, 1986). Na verdade, em nosso envelhecimento vamos continuando a ser como sempre fomos, apenas acentuando muitos dos nossos traços de caráter e tendo outros atenuados. Passamos, também, por um processo de regressão em nosso envelhecer normal que, de certa forma, recapitula, em direção oposta, os passos da personalidade da criança e do adolescente descritos por Piaget”.

É essa mudança, da integração social do idoso, da criança e do adolescente, que a Universidade deve promover. De fato, a Universidade, com o surgimento da psicogeriatria, que é uma subespecialidade médica da psiquiatria; com pesquisas realizadas pelas ciências biomédicas, pela psicologia e sociologia, desempenha perfeitamente o seu papel de criação de conhecimentos quanto à expectativa de vida; o que falta, ainda, é o aprofundamento da questão da integração social do idoso, a partir do fato de que a velhice é um valor em si.


2. Projetos com a terceira idade

É com prazer que assistimos hoje a uma série de estudos e iniciativas destinadas à terceira idade. O número das publicações está aumentando continuamente e as atividades a que a literatura dá origem são as mais variadas. A própria UEL está inserida sempre mais nesse contexto, através da UNATI, Universidade Aberta à Terceira Idade.

Não é objeto desta nossa reflexão a análise de todo esse leque de atividades e iniciativas, mas, tão somente, aprofundar a base filosófica que deve nortear a nossa ação nesse contexto.

A título de exemplo, evidenciamos o Programa de Estudos da Terceira Idade da Pontifica Universidade Católica do Paraná que, criado em 1992, desenvolve atividades relacionadas com o saber, o fazer e o lazer, possibilitando, assim, uma vida ativa, independente da idade que se tenha, pelas oportunidades de novos aprendizados e de convívio social. Esse programa compreende um Curso de Atualização Cultural e uma série de Cursos de Extensão, tais como Arte de viver, Atividade física e lazer, A Bíblia e suas versões, Canto coral, Envelhecer com saúde, Filosofia e atualidade, Filosofia e arte árabe, História da Arte, História da Música, Informática, Jardinagem, Línguas (Espanhol, Inglês, Italiano), Orquidofilia, Pintura, Teatro.

O que há de comum, em todas essas atividades, é evidenciado pela frase de Jaac Azimov, citada no texto:
“A essência da vida é descobrir algo que se goste fazer, que dê sentido à vida, e depois se colocar em situação que permita fazê-lo”. Isso significa que a Universidade, que constitui o espaço institucional privilegiado para se discutir as questões relativas ao envelhecimento e à velhice, em modo particular deve aprofundar o conceito de pessoa.

Em outra oportunidade, definimos a pessoa como “o ente que se expressa a si mesmo no ato de entender, querer e amar” (Dizionario delle idee – Centro di studi filosófici di Gallarate). Essa definição resume um longo processo especulativo pelo qual o conceito de pessoa foi gradativamente elaborado e clarificado.

É certo que os gregos não elaboraram o conceito de pessoa no mesmo sentido que os autores cristãos; eles tiveram somente uma intuição. Coube ao cristianismo, a partir de controvérsias trinitárias e cristológicas surgidas no século IV, proceder a uma progressiva precisão terminológica e conceitual a respeito da idéia de pessoa.

Por essa progressiva conceituação terminológica, ficou evidenciado, também, o sentido etimológico do termo grego-latino de pessoa: máscara, usada para desempenhar um papel nas representações; quer dizer, algo sobreposto à pura e simples individualidade. Só que não se trata de esconder a individualidade, mas de dar-lhe a possibilidade de pôr em evidência o papel que o ser vem desempenhando em sua atividade criadora.

O primeiro autor cristão que desenvolve em profundidade o conceito de pessoa é Santo Agostinho. Ele baseou-se, em modo particular, em Aristóteles, levando em consideração a Ética a Nicômaco, sobretudo as passagens em que são descritas as relações entre seres humanos (por exemplo, entre amigos). Contudo, para chegar à plenitude da noção de pessoa, Agostinho teve que recorrer a dados da experiência, que, desde então, chamou-se de experiência pessoal.

A idéia de pessoa, em Agostinho, afasta-se da relativa exterioridade e avança para a intimidade. A experiência e a intuição da interioridade serviram a Agostinho para fazer dessa relação consigo mesmo, não uma relação abstrata, mas uma relação concreta e real. Nesse contexto fica mais clara a definição dada anteriormente: pessoa é o ente que se expressa a si mesmo no ato de entender, querer e amar; ou seja, o ser que tem vida interior e manifesta essa vida interior a si mesmo e aos outros no ato de entender, querer e amar.

Uma das pessoas mais influentes na história da elaboração do conceito de pessoa é Boécio. Ele analisa o sentido etimológico, de máscara, tão somente como ponto de partida para um maior aprofundamento na linguagem filosófica e teológica. Define assim a pessoa: “substância individual de natureza racional”, quer dizer, uma substância que existe por direito próprio, com características próprias e individuais, não repetíveis.

A pessoa é uma substância que existe por direito próprio, e totalmente irreptível. Ou seja, o ser da pessoa é um ser próprio, que pertence a si mesmo e não depende do outro.

Autores modernos, além dos elementos metafísicos mencionados, introduziram elementos psicológicos e éticos, aprofundando, assim, o conceito de pessoa. Dessa forma, estabeleceu-se uma clara distinção entre a noção de indivíduo e a noção de pessoa.
O indivíduo está determinado em seu ser; a pessoa é livre, se auto-determina. O indivíduo é definido negativamente, ou seja, alguém é indivíduo quando não é o outro; a pessoa pode ser definida positivamente, ou seja, enquanto ela própria se expressa no ato de entender, querer e amar.

Podemos, portanto, ressaltar três características determinantes da pessoa: interioridade, que transborda nas relações consigo mesma e com o outro; propriedade, que implica em sua identidade irrepetível; liberdade, que desemboca em auto-mediação, visto que a pessoa, de acordo com Kant, é a liberdade de um ser racional sob leis morais, impostas a si mesmo por ele mesmo.

Nessa tarefa de a Universidade aprofundar o conceito de pessoa pode ser encontrada a motivação para uma mudança cultural, na sociedade, a respeito da integração: idosos, jovens e crianças.

Salientamos que falar em pessoa, fala-se em evidenciar o papel que o ser vem desempenhando em sua atividade criadora. Nesse contexto, de evidenciar o papel que o ser vem desempenhando em sua atividade criadora é que fazemos referência a outra atividade desenvolvida no Distrito Federal, o Projeto Reminiscências: Integrando Gerações (SOUZA, 1999). Esse projeto visa não apenas integrar gerações, mas as instituições públicas de saúde, de educação e de cultura. Torna-se sempre mais evidente a importância do processo de reminiscências para os idosos, para os jovens, para as equipes de profissionais e para toda a sociedade. Com o passar dos anos, as pessoas vão registrando na memória fatos de toda natureza; quer dizer que, quanto mais avançam em idade, as pessoas têm guardadas mais histórias em seus “livros íntimos”. Essas lembranças, se não forem contadas e registradas, serão perdidas, causando enorme prejuízo às gerações futuras.

A propósito de reminiscências, Norberto Bobbio insiste na necessidade de ir sempre mais a fundo nesse processo. Assim ele se expressa: “O tempo da memória segue um caminho inverso ao tempo real (BOBBIO, 1996): quanto mais vivas as lembranças que vêm à tona de nossas recordações, mais remoto é o tempo em que os fatos ocorreram. Cumpre-nos saber, porém, que o resíduo ou o que logramos desencavar desse poço sem fundo, é apenas uma ínfima parcela da história de nossa vida. Nada de parar. Devemos continuar a escavar! Cada vulto, gesto, palavra ou canção, que parecia perdido para sempre, uma vez reencontrado, nos ajuda a sobreviver”.

Nós, os idosos, não queremos migalhas: ajuda, conforto, compreensão, assistência…; queremos o banquete: viver, sentir, planejar, executar…; e essa vida, que é uma só, queremos vivê-la intensamente.

Considerações Finais

Ao definirmos o papel da Universidade na construção do saber sobre idosos, salientamos que a Universidade cumpre a contento sua tarefa de produção de conhecimentos que elevem, de forma significativa, a expectativa de vida; só que viver muito não é suficiente.

É preciso viver melhor. E a maneira de o idoso viver melhor é de se sentir integrado socialmente; ou seja, cabe à Universidade provocar uma mudança cultural, de integração do idoso no contexto social.

Ao verificarmos os projetos existentes com relação à terceira idade, chegamos a identificar que para dar oportunidade de descobrir algo que dê sentido à vida e, assim, colocar o idoso em situação de poder realizar esse ideal, é preciso, inicialmente, aprofundar o conceito de pessoa.

Traçamos as principais características determinantes da pessoa: sua vida interior que se comunica no ato de entender, querer e amar; sua identidade irrepetível; sua liberdade, que leva o ser a construir o mundo da cultura, ou seja, o mundo dos valores.

O valor, de acordo com Nicola Abbagnano (Dicionário de Filosofia), não é somente a preferência, mas é o preferível, o desejável; o valor não é um mero ideal, mas é, antes, o guia das próprias escolhas. Assim sendo, a melhor definição de valor é aquela que o considera como uma possibilidade de escolha, isto é, como uma disciplina inteligente das escolhas que pode conduzir a eliminar algumas delas ou a declará-las irracionais ou nocivas, e pode conduzir a privilegiar outras, ou seja, a determinar as autênticas possibilidades de escolha, fundamentando, assim, a universalidade e a permanência.

É isso o que o idoso espera e exige da Universidade, sobretudo considerando que a função primordial da Universidade é a criação, manutenção e difusão de valores.

BIBLIOGRAFIA


LÉGER, I. M. et alii. Psicopatologia do envelhecimento: assistência aos idosos. Trad. de Antonio Carlos de Oliveira Corrêa. Vozes, Petrópolis, 1994.

SOUZA, Elza Maria de. Reminiscências integrando gerações. Vozes, Petrópolis, 1999.

HAYFLICK, Leonard. Como e por que envelhecemos. Trad. de Ana Beatriz Rodrigues, 2ª ed. Campus, Rio de Janeiro, 1997.

BOBBIO, Norberto. De senectute. Einaudi, Torino, 1996.

NASCIMENTO, Jorge R. Aprenda a curtir seus anos dourados. Vozes, Petrópolis, 1997.

CORRÊA, Antonio Carlos de Oliveira. Envelhecimento, depressão e doença de Alzheimer. Health,Belo Horizonte, 1996.

MORAES, Myriam; BARROS, Lins de. Velhice ou Terceira Idade. Fund. Getúlio Vargas. Ed. Rio de Janeiro, 1998.

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